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Publicado em 25/08/2017 às 8:42 - Autor:

PF investiga em MS empresa suspeita de usar bitcoins para mascarar pirâmide

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A Polícia Federal investiga em Mato Grosso do Sul as atividades da empresa MinerWorld, dos sócios Cícero Saad e Jonhnes Carvalho, que atrai investidores oferecendo lucros da mineração de bitcoins, mas é suspeita de sustentar o negócio com o golpe da pirâmide financeira, ou esquema Ponzi.
O inquérito que apura os crimes supostamente praticados pela empresa foi encaminhado a PF a pedido do MPF (Ministério Público Federal).
A MinerWorld foi denunciada ao MPF na semana passada, suspeita de atrair pessoas para o esquema com promessa de ganhos exorbitantes, como retorno de 100% do investido. Além disso, bônus seriam pagos aos participantes que trouxessem novos investidores para o esquema, o que caracteriza uma pirâmide financeira.
A empresa nega operar no esquema pirâmide, e garante que os lucros oferecidos são todos produzidos exclusivamente com a mineração de bitcoins. Segundo material promocional da MinerWorld difundido nas redes sociais, eles teriam sedes em outros países, como China e Paraguai, todas operando máquinas superpotentes para minerar.

O Jornal Midiamax pediu diretamente aos sócios da MinerWorld o endereço de uma dessas unidades, no Paraguai, para enviar uma equipe de reportagem ao local. A informação foi de que a sede estaria em obras, e apenas em dois meses seria possível a visita. O advogado da empresa, Rafael Echeverria Lopes, informou que ainda não tomou conhecimento do inquérito na Polícia Federal, mas confirmou a denúncia recebida pelo MPF.
Também nas redes sociais, associados da MinerWorld usam imagens que dizem ser das supostas ‘unidades internacionais’. No entanto, pesquisas simples feitas pelo Google revelam que as fotografias também são usadas em websites que promovem ‘mining farms’ (Clique para ver), como são chamadas estruturas com vários computadores mineradores que podem ser alugados pela internet mesmo.

O MPF (Ministério Público Federal) informou na semana passada que já existe uma denúncia sobre a operação do modelo de negócio comandado pela MineWorld, justamente sob suspeita de possível golpe de pirâmide financeira ou esquema Ponzi. Após a investigação da PF, caberá ao MPF (Ministério Público Federal) tomar decisões sobre possíveis denúncias contra os implicados.
Além da suspeita de pirâmide, o negócio não tem aprovação do Banco Central e não é assegurado por qualquer autoridade financeira no Brasil. Quem entra, entrega o dinheiro em planos de até R$ 200 mil, segundo os investidores, e recebe um contrato firmado com uma pessoa jurídica estabelecida no Paraguai.

Para arregimentar novos membros, mais táticas que remetem às pirâmides. Organizam grandes eventos em locais conhecidos da cidade, como hotéis de alto padrão, e o cenário vai sendo preenchido por depoimentos de pessoas que se dizem vitoriosas e de sucesso, para atrair mais participantes, num misto de sessões testemunhais pentecostais e palestras de motivação e autoajuda.
Embora a empresa tenha afirmado à reportagem que não é preciso chamar mais gente para ganhar dinheiro, é explícito o quanto é vantajoso ser um recrutador. Eles ganham bônus e, quanto maior a quantidade de pessoas, cresce o retorno, que poderia vir, segundo as promessas, em forma de presentes como viagens internacionais, carros e mais dinheiro.
Na ânsia de conseguir recrutar mais ‘investidores’, os participantes apelam para as redes sociais e divulgam o número de celular para novos contatos.

Atravessador na mineração
“Eles falam que estão pagando com lucro da mineração, mas toda estrutura do negócio, até o doutrinamento e lavagem cerebral de quem entra, aponta para mais uma pirâmide. Prometem um lucro exorbitante, distribuem algum dinheiro para manter a credibilidade e enquanto isso vão arregimentando novos investidores que, na verdade, são quem sustenta o esquema financeiro”, diz um contabilista campo-grandense que já foi vítima de outras pirâmides e recebeu convite para a MinerWorld.
Foi ele quem apontou o uso de imagens com indícios de serem ‘fakes’ ou, pelo menos, emprestadas de outros empreendimentos ligados à mineração mundo afora.

“Eu estudei muito o esquema, e acabei decidindo investir em mineração de bitcoin por conta própria, porque realmente há expectativa de ganho. Mas não é nada milagroso e ninguém precisa de um atravessador para investir. Há empresas na China que mantêm fazendas com máquinas mineradoras e a gente pode alugar tudo pela internet, sem nem falar chinês”, relata.
Segundo o contabilista que se tornou investidor em mineração de bitcoin, a atividade seria apenas mais um pretexto para uma pirâmide. “Esse povo é criativo. Eles já usaram telefonia por VOIP, filtros de água, produtos de limpeza, rastreador de veículos, sempre como desculpa para montar uma pirâmide. Se observar, quase sempre são as mesmas pessoas pulando de uma rede para outra e quem está no topo continua com lucros”, conta.

Segundo a assessoria de imprensa, o perfil oficial da empresa no Facebook é o MinerWorld Company, que ostenta fotos de eventos luxuosos, festas e premiações milionárias. Em uma das imagens, o “CEO” da empresa Cícero Saad aparece ao lado de participantes que seguram cheques com o prêmio acima de R$ 2 milhões.
Para o campo-grandense, a empresa pode estar usando o bitcoin para embalar a pirâmide, e mantendo máquinas terceirizadas nos locais onde diz ter ‘unidades mineradoras’. “A construção no Paraguai está em andamento ainda, mas eles mentem para os associados que já possuem essa estrutura desde o começo, porque a energia elétrica lá é mais barata”, relata.

Além do BitCoin
A MinerWorld nega. E, apesar de negar também envolvimento com os esquemas Ponzi, no próprio website da marca, registrado no Comitê Gestor da Internet do Brasil no CPF de Cícero Saad, há uma página inteira dedicada a exaltar os benefícios do MMN (Marketing Multinível), admitindo que a empresa usa e pratica: “Que tal ser remunerado de acordo com o tamanho do esforço que você realiza em seu trabalho? No MMN, os sonhos se tornam realidade”, convida a MinerWorld em http://minerworld.com.br/services#mmn.

O grupo alega que nem só de mineração de moedas ela é feita. Eles afirmam que trabalham com uma casa de câmbio para negociar as criptomoedas, em tese, é possível trocar qualquer moeda tradicional por bitcoins, como acontece em operações de câmbio, a diferença é o risco dessas operações. Mas, neste quesito, a Miner promete mais uma proeza. ​“Existe risco da moeda? Eu assumo esse risco. E quando entrega bitcoins, ela pode desvalorizar? Pode, mas você assume o risco de ganhar mais dinheiro e perder”, afirma Jonhnes Carvalho.

Matéria editada às 13h00 para acréscimo de informação*

Anny Malagolini – Midiamax.com

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