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Publicado em 03/05/2016 às 15:45 - Autor:

ARTIGO: Como Não Amar Ladário ?

cristo redentor Ladario

As sem razões do amor, atingem a todos e a todas. Inclusive o lugar em que vivemos. Por isto, Ladário, a minha doce Pérola do Pantanal não pode ser vista apenas como um celeiro de riquezas naturais. Saber que o manganês, a areia e a argila estão bem li é uma tranquilidade na obtenção de recursos de matéria prima, mas antes disto, viver no coração do Pantanal sul-mato-grossense é ainda mais divino. Resistir as transformações nas formas de vidas tradicionais, o que isso implica para a manutenção ou desaparecimento de certas coisas que nós amamos: o patrimônio que consiste num modo muito singular de viver o tempo, o corpo, o trabalho, a cidade são o nosso aumento de expectativa de vida. Não obstante, os atrativos culturais de Ladário, como o Sítio Arqueológico, a Casa do Artesão, o singular Cristo… de tantas memórias e o Pátio Ferroviário, resgatam a história da cidade e a reavivam na memória dos moradores e visitantes

E quem não conhece Ladário, ainda, precisa conhecer. A frase do grande poeta Fernando Pessoa “ As viagens são os viajantes” sintetiza bem porque alguns destinos agradam a uns e desapontam a outros, pois na verdade uma viagem depende muito mais do que gostos e sim da disposição em aprender e em se deliciar com o que Deus criou. Um bom exemplo disso é a Codrasa, às margens do rio Paraguai, ainda com detalhes a ajustar mas que representa um vasto campo de oportunidades para o turismo ecológico, de pesca e de contemplação, além de pousadas e sítios com produtores e pescadores que ocupam a região para a qual a Prefeitura tem um projeto de desenvolvimento sustentável, por se tratar de uma Área de Preservação Ambiental. Destarte,, foi criada na região, em parceria com o Ministério de Meio Ambiente, a APA Baía Negra. A região da Codrasa abrigou, na década de 80, um projeto experimental agropecuário de Ladário, implementado pela extinta Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) mas que atualmente busca-se ordenar a ocupação do solo e a exploração dos recursos naturais, reconhecendo e assegurando a dignidade das populações tradicionais e viabilizando atividades sustentáveis como o ecoturismo, capazes de incrementar a geração de riqueza e renda para a sociedade em geral, e isso é apenas uma questão de tempo.

E assim não podemos esquecer que a importação do ritmo acelerado das “grandes metrópoles” mata os ritos e o ritmo que sempre caracterizaram as pessoas e as relações entre elas e justamente por isto, Ladário, é destino certo de contemplação da história e da tranquilidade. Conversando com um amigo historiador ele reitera a necessidade de explicar também o processo histórico de uma povoação que, de um simples retiro de pescadores, que passou à condição de freguesia (1896), submunicípio (1948) e, finalmente transformou-se em município (17 de março de 1954).

Por isso, Ladário representa sim, um espaço histórico, onde se movimentaram homens e mulheres que viveram as tensões e as lutas cotidianas durante o processo de ocupação, povoamento, disputas territoriais e guerra e que por isso impôs a concentração de uma das principais forças de defesa da nação brasileira. E nada mais justo que Ladário merecer figurar entre as cidades que ajudaram a projetar “Mato Grosso” (Uno) na História do Brasil. Por fim, a nossa cidade é o local aonde se pode realmente sentir a brisa pantaneira bater no rosto e como diz em seu hino com letra e música de Sebastião do Espírito Santo : Salve! Salve! A fibra ladarense Que aclamamos com voz varonil! Hás de honrar, sempre amar Mato Grosso do Sul, E servir com bravura ao Brasil! E como provocação eu poderia dizer ainda, que há certamente o “amor sem razões”, e que talvez essa seja nossa forma preferencial de amar. Obrigada Ladário !

Janir Arruda
Foto: Cristo Redentor de Ladário/Divulgação

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